quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Filme premiado em Cannes denuncia o desmonte da previdência na Inglaterra


I, Daniel Blake tem tudo a ver com o debate sobre a reforma da previdência e a privatização da seguridade social brasileira. Sua história retrata o drama de um carpinteiro de meia-idade que luta para conseguir auxílio do estado após sofrer um ataque cardíaco.

O filme, como todos do britânico Ken Loach, tem um cunho social e demonstra a face cruel do capitalismo, a violação à dignidade humana. É uma forte denúncia sobre a falência do sistema previdenciário da Grã-Bretanha, uma das vítimas do neoliberalismo na Europa.

Aos 80 anos e com muita disposição, o cineasta aponta em suas entrevistas que a situação atual no Reino Unido é o resultado lógico da chegada ao poder da (ex-primeira-ministra) Margaret Thatcher, em 1979, que liderou a campanha neoliberal no continente europeu.

Na obra, escrita por Paul Laverty, Daniel Blake (Dave Johns) enfrenta a extrema burocracia estatal que o impede de ter acesso ao seu direito. Em meio a suas idas ao órgão de seguridade social (Departamento de Trabalho e Pensões), o carpinteiro recém-viúvo intervém, sem sucesso, por Katie (Hayley Squires), mãe solteira despejada com os dois filhos de um conjugado em Londres.

Katie foi despachada pelo Serviço Social para uma cidade a centenas de quilômetros da capital e também não possui condições financeiras para se manter. Eles se ajudam como podem, mas terminam sendo punidos pelo governo, que desmantelou o serviço público, privatizou, terceirizou e criou rígidas regras para obtenção de benefícios, sob a desculpa de evitar fraudes no sistema previdenciário. 

Em todo o Brasil, o público sai das salas de cinema com “Fora Temer” na ponta da língua. Uns, gritam, transformando a sessão num ato político; outros não seguram a emoção e choram; mas, independente do posicionamento político em relação ao governo, é certo que a ampla maioria passa a refletir sobre o futuro da previdência brasileira.

Grande vencedora do Festival de Cannes no ano passado, com o prêmio Palma de Ouro (melhor filme) e outros, a película de Ken Loach está em cartaz nos principais cinemas de arte do Brasil.

 


ONDE ASSISTIR?
 
Em São Paulo:
Cine Caixa Belas Artes | Consolação
16h20 / 20h50
Kinoplex Itaim | Itaim Bibi
14H10
CineARTE | Cerqueira Césa
14h40 / 19h20
Espaço Itaú de Cinema – Augusta | Cerqueira César
14h00 / 16h20 / 21h40
Reserva Cultural | Bela Vista
15h00 / 17h50 / 19h20 / 21h20
 
Em Maceió:
Centro Cultural Arte Pajuçara | Pajuçara
16h00 /20h30 (Exceto 23 e 25/01) / 17h10 (Somente 25/01)