quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Eu me apaixono

O assunto era amor quando alguém falou que eu estava tentando me “comportar como homem”.
- Como é se comportar como homem?
Colocar a razão acima da emoção, não valorizar muito os sentimentos e fazer sexo sem compromisso foram citados como exemplos.
A maioria dos homens não dá a mesma importância ao amor que mulheres.
Nem poderia dar, se não são ensinados a amar como as mulheres.
Muitos recebem, mas não sabem distribuir. Outros, sequer sabem receber.
O amor também faz parte da educação.
Para as meninas, contos de fadas e romances. Rosa, para transmitir inocência e afeto.
Para os meninos, história de heróis e carros. Azul, para simbolizar produtividade e poder.
Mulheres se entregam. Aprendem a cuidar.
Homens dominam. Aprendem a ter posse.
Se quem ama cuida, todos precisam aprender a cuidar.
Educar para o amor é um ato revolucionário.
Tentar se "comportar como homem" é em vão.
O amor transborda.
Quando percebo, está tudo alagado.
Canalizo.
Eu me apaixono.


Lara Tapety

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Borboleta

Engana-se quem acha que fico sem chão. - Eu sempre soube voar!

Lara Tapety

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Meu jardim


Tenho dificuldade de saber o quanto regar meu jardim.
Ou rego pouco, e algumas plantas morrem de sede; ou rego demais, e algumas plantas morrem afogadas.
Ainda bem que algumas renascem; outras deixam espaço para as novas.

Lara Tapety

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Morar em Maceió está difícil!

Volto a pensar alguns dos principais motivos que me fizeram pensar MUITO antes de retornar a morar em Maceió: o pensamento limitado, a forma como as pessoas julgam as outras e a forte presença do machismo em todos os espaços, seja da direita ou da esquerda.
Sempre tive a sensação que, por aqui, o que vale é a aparência (não necessariamente a física) e não a essência – isso acontece em outras cidades, mas em Maceió isso é muito notável. O status é o que vale. Aparecer. Estar em evidência. E quem não se encaixa, tem dificuldade de aceitação, fica de fora, não tem reconhecimento. Quando o maceioense, de um modo geral, vai deixar de pensar tão pequeno? Quando haverá uma ruptura dos paradigmas culturais arcaicos tão enraizados?
Voltei há quase 2 anos motivada pelo amor e pela busca da qualidade de vida. De repente, percebo que preciso me adaptar a essa babaquice na luta para desconstruí-la por dentro, ou cair fora mais uma vez, pois quem se abriu para outros mundos e enxerga para além da aprovação alheia não tem paciência com puxa-saquismo e necessidade excessiva de autoafirmação.
Taí uma razão para que tanta gente boa, grandes profissionais e artistas, não consiga mais viver por aqui! Uma cidade tão rica de cultura popular e tão pobre de pensamento. Maceió segue décadas atrasada no tempo.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Vidro


Meu coração é como vidro
Se cair, quebra
Se pisar, corta
Depois junto os cacos
Faço um belo vaso
E guardo teu sangue
Para bombear a vida

Lara Tapety