segunda-feira, 13 de abril de 2015

Abraçar a Garça significa defender o "paraíso das águas"

Todos conhecem a fama de Maceió/AL como "o paraíso das águas". Acontece que a cada dia essas águas estão mais poluídas. São poucas as praias da cidade que ainda são próprias para o banho. Entre elas, estão Garça Torta e Riacho Doce, onde ainda se pode mergulhar sem risco de pegar uma doença, de um simples pano branco à hepatite. As demais, ao contrário do que muita gente pensa, não ficam dentro da capital, como a famosa praia do Francês, situada no município de Marechal Deodoro. 
Garça Torta, em frente ao Clube da APCEF. Foto: Lara Tapety
Isso ocorre porque a “Garça” e o “Riacho” possuem peculiaridades ambientais e culturais, um modo de vida simples e humilde, que contrastam com o aspecto urbano das praias centrais da cidade.

Está prevista para o litoral norte de Maceió/AL a construção de mais de 30 espigões de até 20 andares, na beira da praia (e em área de marinha), sem planejamento urbano efetivo, sem saneamento básico, com problemas na rede elétrica, problemas de abastecimento de água etc..

Lua cheia em Garça Torta.
Foto:Lara Tapety
A região tem uma das maiores costas de corais do mundo e é área de desova de tartarugas marinhas. A construção de prédios altos significa o sombreamento (de manhã das casas e à tarde da praia) dessa área e danos irreversíveis à vida marinha.

A Garça Torta tem uma riqueza cultural muito singular, com comunidades tradicionais e constituídas nessas singularidades, como as boleiras de Riacho Doce e os pescadores de Garça Torta, que estão sendo “empurradas” para as periferias com o reordenamento urbano. É também na Garça, por exemplo, que existe há 30 anos a “Casa da Arte”, antiga casa de pescadores que desde 2004 é “Ponto de Cultura” (arte e educação) do Projeto Cultura Viva do Governo Federal. 

O pior é que algumas pessoas defendem os empreendimentos sob justificativa errônea de que vão garantir emprego para a população desses bairros "afastados" do centro maceioense. Esse é o discurso das construtoras para enrolar a população. Na realidade, as vagas são poucas, a maioria temporárias e precarizadas. Geralmente, quem mora nos prédios traz funcionários de fora, como é o caso dos condomínios novos que não contratam mão de obra local. Além disso, os prédios altos na beira da praia vão destruir a fonte de renda de quem vive da pesca e, ao afetar todo o meio ambiente, causa danos que podem prejudicar outros trabalhos.

Pescador na balança de Garça Torta.
Foto: Lara Tapety
É um tanto mais inteligente defender impulsionar o turismo baseado na experiência do lugar , levando em conta os aspectos do direito à cidade e o respeito ao meio ambiente. Como disse um amigo, "construir uma bomba atômica também gera emprego", mas nem por isso vamos defender uma usina nuclear em Garça Torta ou Riacho Doce.

Desde 2005, quando seria lançado o Código de Edificações de Maceió, um movimento vem se constituindo no litoral norte da capital. Naquele momento, vários estudiosos do assunto recomendaram que não fossem construídos prédios de mais de 4 andares nessa área que compreende desde Jacarecica à Ipioca, pela sua fragilidade geológica, questões sociais, culturais e ambientais. 

Atualmente, a partir de uma mudança no Plano Diretor da capital alagoana, permite-se ilegalmente (atentando à Constituição Federal e às legislações de proteção ambiental) a construção de empreendimentos de até 20 andares. Devido à liberação dos órgãos públicos, sob pressão da especulação imobiliária, para construção das torres à beira-mar, a praia de Garça Torta, e todo o litoral norte de Maceió, estão em risco de destruição ambiental e sociocultural .

Preocupados com o futuro do litoral norte e de toda Maceió, moradores do bairro Garça Torta e de outros bairros próximos, junto aos amantes da praia, uniram-se criando o movimento "Abrace a Garça". O movimento se posiciona contrário à construção de prédios acima de 4 pavimentos nas praias do litoral norte de Maceió e criou um abaixo-assinado "em defesa dos bairros do litoral norte de Maceió".

Pescadores tiram jangada do mar. Foto: Lara Tapety
Quem "abraça a Garça" defende um projeto de desenvolvimento inclusivo e sustentável, de modo que se escute e favoreça as potencialidades das pessoas que ali vivem, ao invés de pouco a pouco transformar os bairros do litoral norte em um locais como a Ponta Verde ou Jatiúca, com “línguas sujas” despejadas ao mar, falta de ventilação nas ruas por trás dos “paredões” e engarrafamentos exaustivos.

Balança dos pescadores de Garça Torta. Foto: Lara Tapety
O Abrace a Garça luta pela reformulação participativa do plano diretor de Maceió/AL e também do código de edificações, para que “o paraíso das águas” não perca essa fama para os tantos índices negativos, como o de cidade mais violenta do país.

Por mais simplicidade, beleza e paz; menos concreto e violência! Abrace a Garça!

As águas cristalinas na maré seca em Garça Torta. Foto: Lara Tapety

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Assine a petição: goo.gl/pHcHJK