quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Trabalhadores de Alagoas relembram mortes no campo


Casos de assassinatos de Sem Terra, impunes até hoje, foram o mote do grande ato que percorreu o município de Atalaia

Na manhã desta terça-feira (29/11), na passagem do Dia Estadual de Luta Contra Violência e Impunidade no Campo e na Cidade, aproximadamente 1000 trabalhadores rurais de toda Alagoas marcharam pela cidade de Atalaia (45 km de Maceió) num grande ato em memória daqueles que tombaram na luta pela Reforma Agrária. A data ganhou esta conotação a partir da morte de Jaelson Melquíades, que foi brutalmente executado com cinco tiros em 29 de novembro de 2005 quando se deslocava de moto do então acampamento Ouricuri III (hoje, assentamento Jaelson Melquíades) para a casa de sua mãe no assentamento Timbó.
Os Sem Terra protestaram contra a truculência dos coronéis do latifúndio, acobertados pela impunidade e ineficácia do Poder Judiciário e polícia. Soma-se à violência e à impunidade, a não realização da política constitucional de Reforma Agrária, que possibilitaria vida digna com trabalho, renda e alimentos saudáveis para as famílias beneficiárias, além de outros direitos assegurados em decorrência do assentamento. Além de Jaelson, também foram lembrados Chico do Sindicato (abatido em 1995), José Elenilson (em 2000) e Luciano Alves (em 2003).
Desde cedo, os camponeses organizados no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se concentraram no povoado Ouricuri, palco da maior parte das tragédias envolvendo fazendeiros e agricultores. Os trabalhadores se deslocaram em carreata até a sede do município de Atalaia, onde fizeram uma caminhada com a imagem estampada do mártir Jaelson Melquíades, realizaram um bloqueio momentâneo na BR-316 e seguiram em ato para o Foro da cidade.
O Movimento expressou sua intransigência para com as constantes falhas do Poder Público na resolução dos assassinatos de lideranças no campo e bloquearam a BR-316 na saída de Atalaia, por cerca de 40 minutos. “Nós somos obrigados a vir cobrar justiça, já que virou moda matar trabalhador e ficarem impunes. A justiça não cumpre seu papel!”, alertou José Pedro (Direção Nacional do MST), sempre se dirigindo aos motoristas, que demonstraram sensibilidade e foram solidários.
Após o desbloqueio da BR-316, os militantes se manifestaram em frente ao Foro de Justiça do município, onde houve resistência por parte de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) contra a aposição de faixas nas paredes do órgão. Transcorrido o princípio de tumulto, as falas criticaram a atuação da Justiça nos casos de assassinatos ocorridos em Atalaia. Também foi lembrada a postura do Promotor Sóstenes de Araújo Gaia, criticado pelo Procurador-Geral do MP-AL, Eduardo Tavares, por associar “Sem Terra” e “bandidagem” no município.
Durante todo o dia, as manifestações contaram com a animação própria dos agricultores do MST, com entoação de canções populares e gritos de ordem, além da organização também característica dos movimentos agrários, com longas fileiras e auto-coordenação das atividades, culminando num grande ato que impressionou a sociedade atalaiense. Somando-se ao luto nacional vivido pelo MST, também foi muito lembrado o companheiro Egídio Brunetto, fundador do Movimento, que morreu tragicamente num acidente de carro nesta segunda-feira (28/11).
Nas palavras do professor de Ciência Política da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cícero Albuquerque, apoiador do MST, “Jaelson Melquíades é um exemplo de homem que foi capaz de dar sua própria vida para que nossos filhos tenham uma vida melhor”. Criticando a promiscuidade entre poderes constituídos e famílias oligarcas no Brasil, ele afirmou: “nesse país, quem comete crime e é rico não vai para cadeia (ou contrata bons advogados pra se livrar dela). A polícia já indicou mandantes e executores deste crime. São todos daqui, mas continuam soltos e impunes”.
Noite de diálogos no Povoado Ouricuri
Na noite desta segunda-feira (28/11), as atividades preparatórias para o Dia Estadual de Luta Contra Violência e Impunidade no Campo e na Cidade, ocorreram na quadra de esportes do povoado Ouricuri (programação voltada para a população da localidade). Os trabalhadores puderam ouvir a memória de companheiros que conheciam Jaelson e conviveram com ele na região.
A programação se iniciou às 18h com uma roda de capoeira do Grupo Arte Ligeira Em Movimento, do professor Geno (Beronito), com crianças e adolescentes do povoado, de acampamentos e de assentamentos. Além de animação garantida com cantigas populares, foi exibido o filme “MST 25 anos – Uma luta de todos”, em sessão do Cineclube Cinema Na Terra. Ao final, foi servido arroz doce para todos os presentes.
No filme e nas intervenções, foi reiterada a alternativa da Reforma Agrária como propulsora do desenvolvimento na região de Ouricuri, após a falência das usinas que ali existiam. A organização dos trabalhadores trouxe para as famílias, além do acesso a terra para produzir, uma série de conquistas estruturais e políticas, como a reestruturação da malha viária, a construção da Ciranda Infantil que atende toda região, entre outras.

Fonte: Ascom MST-AL

Outras informações:
82 9916 8547 / 82 8725 8333 - Rafael Soriano
Assessoria MST-AL

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Sem Terra organizam protestos para cobrar justiça

Em memória de Jaelson Melquíades, morto em 2005 por um consórcio de fazendeiros da região de Ouricuri, Zona Rural de Atalaia, centenas de trabalhadores rurais realizam a partir de hoje atividades no município. O dia de sua morte, 29 de novembro, ficou marcado como o Dia Estadual de Luta Contra a Violência e Impunidade no Campo e na Cidade, celebrado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e demais movimentos sociais urbanos e rurais em Alagoas.

Os mártires da luta pela terra em Alagoas serão lembrados numa celebração mística que acontece nesta segunda-feira (28/11), na quadra de esportes do povoado Ouricuri, contando com roda de capoeira, exibição de cinema, canções e depoimentos de companheiros das vítimas. Já no dia 29/11, uma grande caminhada irá percorrer as ruas da cidade de Atalaia, numa celebração que pede paz no campo, com a realização da Reforma Agrária.

Além do Jaelson, outros trabalhadores rurais assassinados por incomodar as elites e coronéis também serão lembrados: o Chico do Sindicato, assassinado em 1995, o José Elenilson, assassinado em 2000 (ambos em Atalaia) e o Luciano Alves, o Grilo, abatido em 2003 (em Craíbas). “Exigimos das autoridades a punição a todos os assassinos e mandantes. E ainda, a realização da Reforma Agrária como forma de combater a violência e garantir justiça social ao povo atalaiense, alagoano e brasileiro”, afirma Débora Nunes, dirigente do MST.

Em 29 de novembro de 2005, Jaelson (25 anos) foi brutalmente executado com cinco tiros quando se deslocava entre a área que hoje carrega seu nome e o assentamento onde morava sua mãe. Zé Pedro, indicado pela polícia como executor, continua foragido e o mandante, Pedro Batista (já falecido), nunca foi condenado em vida. A impunidade é a marca, quando o poder judiciário se porta de forma promíscua acobertando executores e mandantes, assumindo seu papel paternalista já que não raramente são das mesmas famílias latifundiárias.


Fonte: Ascom MST-AL

Outras informações:
82 9916 8547 / 82 8725 8333 - Rafael Soriano
Assessoria MST-AL

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Banda instrumental Nou Jazz conquista simpatia do público alagoano

Grupo vai se apresentar pela segunda vez no Restaurante Trilha do Mar após receber elogios em sua estréia

Artur Pontes (sax), Heleno Silva (bateria), João
Rafael (violão e guitarra) e João Victor (teclado)
formam a Nou Jazz. O baixista Felipe Barros
participou da estréia do grupo.

Após uma estréia com a casa cheia, a banda Nou Jazz volta a se apresentar no restaurante Trilha do Mar sábado, 26 de novembro. O primeiro show do grupo instrumental contou com a participação especial do saxofonista Everaldo Borges e do baterista Marcius Campello.
Um dos diferenciais do grupo é a presença marcante de dois músicos formados na Universidade Federal de Alagoas (Ufal): Artur Pontes (sax alto e tenor) e João Rafael (violão e guitarra). Eles se uniram ao discípulo de Marcius, Heleno Silva, e ao talentoso jovem João Victor Borges, tem música no sangue, para completar a formação banda.
A união deu certo e, durante a primeira apresentação pública da banda, o comentário mais escutado foi: “colocaram os velhos no bolso!”. Isso porque o show foi recheado de música instrumental de tamanha qualidade e complexidade, algo incomum no mundo jovem.
A Nou Jazz reflete que a música renasce a cada dia na juventude. O nome vem da negação ao jazz clássico e, ao mesmo tempo, alusão aos estilos jazzísticos consagrados, tais como o Cool Jazz e o New Jazz. O projeto, idealizado pelo saxofonista Artur Pontes, utiliza o mesmo princípio do Jazz Fusion ao unir diferentes características na mesma música.
Os jovens loucos por música misturam elementos e técnicas do jazz a outros estilos como samba, bossa nova, pop, flamenco e algumas vertentes do rock. Na apresentação, a banda toca canções de artistas brasileiros, a exemplo de Djavan, Tom Jobin e João Bosco, e internacionais, como Dire Straits, Chick Corea e Stevie Wonder. Essa nova tendência musical, aos poucos, conquista o espaço merecido no cenário musical alagoano.
O show vai acontecer a partir das 20h, no Restaurante Trilha do Mar, localizado na praia de Garça Torta, em Maceió-AL.

 
SERVIÇO:
Show da Banda Nou Jazz
Onde? Restaurante Trilha do Mar – Garça Torta, Maceió-AL
Quando? Sábado, 26 de Novembro de 2011
Horário? 20h
Couvert Artístico? R$10,00
Realização: Projeto Nou Jazz
Outras informações: (82) 9638-9200 / (82) 3324-1979 – Artur
                                      www.myspace.com/bandanoujazz


Por Lara Tapety – Jornalista (SRTE/AL nº1340)
Assessoria de impressa – Projeto Nou Jazz
(82) 9672-8660 / (82) 8874-0485


Cartaz do show.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Presidenta Dilma puxa o tapete de anistiados



Foi publicado no Diário Oficial da União (DOU), no dia 14/11, o veto ao Projeto de Lei 372/08, que reabria o prazo para os demitidos do Governo Collor entrar com requerimento de retorno ao serviço público.
Mais uma vez, o Governo petista dá uma prova de que continua na linha de atuação muito semelhante a dos Governos de Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor. A presidenta Dilma Rousseff frustrou todas as expectativas e o compromisso que assumiu com os demitidos quando era candidata.
O secretário de assuntos jurídicos do Sindicado dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado de Alagoas (SINTSEP-AL), Wellington Britto, soube da má notícia na quarta-feira, 16. Isto porque, como já é de costume, a "rasteira" aconteceu na calada da noite, em plena véspera de feriado. Para Wellington, a atitude do Governo é lastimável. “O sindicato repudia essa atitude da Dilma”, disse.
A diretoria do sindicato mantém contato com o pessoal do SINDSEP-DF, que também segue na luta pelo retorno dos demitidos ao serviço público. Lá em Brasília, representantes da categoria se reuniram ontem, 17, para definir as ações jurídicas e políticas que serão tomadas para reverter o veto, baseado a princípio em argumentos que não procedem, como as alegações de inconstitucionalidade e de contrariedade ao interesse público.
Diversos sindicatos, a nível nacional, apontam em seus meios de comunicação que o Governo adotou uma política de arrocho do setor público, em detrimento da prestação de um serviço de qualidade para toda a população. A decisão de vetar o PL 372/08, segundo o SINDSEF-DF, faz parte deste contexto.

Texto e charge: Lara Tapety

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

PM na USP: Segurança sim! PM não!

Nota da Anel sobre a PM na USP: Segurança sim! PM não!

A Assembléia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL) declara-se indignada com a repressão policial absolutamente injustificável e desproporcional a que assistimos na madrugada desta terça-feira (8/11) no interior da Universidade de São Paulo. Ao mesmo tempo, convida todo o movimento estudantil brasileiro a apoiar a greve estudantil deliberada em massiva assembleia. É essa resposta contundente dos estudantes, somada a uma enorme campanha democrática, que poderá ser capaz de alcançar a retirada dos processos dos estudantes presos e a revogação do convênio USP-PM.

Para pôr fim a uma ocupação de estudantes e levar 73 deles presos, foram mobilizados mais de 400 policiais da tropa de choque, dezenas de outros da cavalaria, caminhões e até dois helicópteros. Em um espetáculo deprimente, a USP amanheceu literalmente sitiada.
O episódio desmascara, portanto, o discurso falacioso do reitor João Grandino Rodas de que a presença da PM no campus visa tão somente a garantir a segurança da comunidade universitária. Definitivamente, fica claro que a PM está a serviço, na verdade, de uma política de controle de estudantes, funcionários e professores pela via da força.

Convém lembrar que Rodas sequer tem a legitimidade de ter sido eleito pela comunidade em eleições livres. 3º colocado na eleição, esse senhor foi indicado arbitrariamente pelo governo do estado de São P aulo. Com a presença da PM no campus fecha-se, portanto, um ciclo do fim completo da autonomia universitária da USP. O governo do PSDB apadrinha o reitor por cima da vontade da comunidade e, agora, controla um aparato armado para impor seus projetos.

A luta do movimento estudantil conquistou a libertação dos 73 presos durante a noite. A ANEL esteve engajada nessa luta e ofereceu, junto com a CSP-CONLUTAS, todos os meios que estavam a seu alcance para defender esses lutadores. E seguirá empenhada em mobilizar uma ampla campanha democrática pelo arquivamento dos processos.

É hora, agora, de construir a greve estudantil – decidida por uma grande assembleia, na qual ficou clara a disposição dos estudantes em unificar o movimento na defesa do direito de lutar e pelo fim do convênio USP-PM. Na assembleia os estudantes decidiram, ainda, defender um programa alternativo para a segurança no campus da universidade, para exigir medidas que realmente a taquem essa questão, ao invés da falácia em torno à proposta de militarização da USP.

Em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade, mas também autônoma e guardiã do livre pensar, a ANEL chama os estudantes de todo o Brasil a cercarem de solidariedade essa luta.


Fonte: SINDSEF-SP

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Cântico da Terra

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.


Cora Coralina