quinta-feira, 28 de abril de 2011

Índios Karapotó cobram demarcação de terras ao presidente da Funai

Por Josenildo Törres 

Uma comissão da tribo Karapotó, situada em São Sebastião, cobrou do presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, a demarcação de 300 tarefas de terra que foram retomadas na última segunda-feira (25). Durante reunião realizada na noite desta quinta-feira (28), na sede do órgão, em Maceió, os indígenas afirmaram que o local pertence à etnia e que estaria sob a propriedade de uma instituição bancária.
Segundo o cacique dos Karapotó, Jorge Barnabé, as terras que eles ocupam atualmente não seria suficiente para realizar os plantios e colheitas das lavouras de subsistência. Ele assegurou, em entrevista ao Tudo na Hora, que as terras invadidas no início pertenceriam aos seus antepassados e que foram invadidas por fazendeiros.
“Antigamente todas aquelas terras eram matas e não havia cercas nem escrituras. Por isso, os fazendeiros tomavam posse e nos expulsavam, a exemplo do que aconteceu nas 300 tarefas que foram retomadas no início da semana”, argumentou.
Questionado por nossa equipe de reportagem como eles iriam provar que as terras invadidas na última segunda-feira (25) pertenceriam aos Karapotó, o cacique Jorge Barnabé foi enfático: “Se o presidente da Funai e a Justiça entenderem de história eles vão saber que nós já ocupávamos essas terras quando o Brasil foi colonizado”, enfatizou.
O que diz a Funai
Antes da reunião, no entanto, o presidente da Funai, Márcio Meira, afirmou que estava em Maceió para a cerimônia de inauguração da reforma da entidade. Parecendo alheio ao problema dos indígenas, ele se resumiu a afirmar que iria ouvir os Karapotó “para se informar sobre a situação”.
“Estou em Maceió para a reinauguração da sede da Funai, mas os índios me convocaram para uma reunião e me comprometi com eles. Vou escutá-los e ouvir as suas reivindicações”, limitou-se a dizer, sem revelar se o problema da demarcação das terras indígenas seria solucionado. Nossa equipe de reportagem não pôde acompanhar a reunião, que aconteceu a portas fechadas, e Márcio Meira só deve se pronunciar nesta sexta-feira, durante a reinauguração da Funai.
No entanto, em entrevista à Agência Brasil, o coordenador da Funai em Alagoas, Frederico Campos, afirmou que a fazenda invadida não é reconhecida como terra originalmente indígena. Segundo ele, os Karapotó foram informados sobre a origem da terra e a invadiram por sua conta em risco.
“[Os índios] Estão completamente equivocados e foram informados sobre isso. Não há argumentos para a ocupação. Querem chamar a atenção, tumultuar”, afirmou o coordenador. Mas o cacique Jorge Barnabé rebateu os argumentos do coordenador estadual. “Quem sabe disso somos nós. A Funai não existia e os índios já existiam”, disse.

Indígenas ocupam fazenda no sul de Alagoas

Por Agência Brasil

Brasília – Cerca de 60 famílias do povo Karapotó ocupam, desde o início da semana, uma fazenda no município de São Sebastião, no sul do estado de Alagoas, a cerca de 100 quilômetros da capital Maceió.
Os Karapotó, com apoio de outras etnias, alegam que a fazenda ocupa uma área tradicionalmente indígena. Segundo o cacique Jorge Barnabé, a atual reserva não é suficiente para acolher as etnias existentes no município e, assim, os povos estão sem terra para plantar e alimentar as aldeias. “Estamos sem lugar para plantar. Estamos passando necessidade. Nossos filhos estão doentes. Não dá para ter mais de dois caciques em uma mesma área”, disse.
A Fundação Nacional do Índio (Funai) é contrária à ocupação. De acordo com o coordenador do órgão em Alagoas, Frederico Campos, a fazenda não é reconhecida como terra originalmente indígena. Segundo ele, os Karapotó foram informados sobre a origem da terra.
Ele descarta uma retirada dos agricultores e o pagamento de indenização, como prevê a legislação quando uma área é destinada a reserva indígena. Segundo o coordenador, os agricultores devem solicitar a reintegração de posse na Justiça.
“[Os índios] Estão completamente equivocados e foram informados sobre isso. Não há argumentos para a ocupação. Querem chamar a atenção, tumultuar”, afirmou o coordenador.
O cacique Barnabé rebate os argumentos da Funai. “Quem sabe disso somos nós. A Funai não existia e os índios já existiam. Tiraram os índios antigos daqui”, disse.
Os índios pretendem apresentar hoje (28) suas reivindicações ao presidente da Funai, Márcio Meira, durante uma reunião em Maceió.


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Índios ocupam área em São Sebastião, Alagoas


Cerca de 60 famílias do povo Karapotó estão sendo ameaçadas pelos moradores do imóvel
 
As tribos Karapotó (Guariri, Terra Nova e Plakiô), Pankararu e Xukuru-Kariri uniram-se para retomar uma área no município de São Sebastião, ao sul do estado de Alagoas, a 140 km de Maceió.
A retomada ocorreu na manhã desta segunda-feira (25). Cerca de 60 famílias do povo Karapotó Guariri, com apoio de outras tribos, entraram numa fazenda próxima ao Sítio Salobro, já adquirido pela Funai para os Karapotós Terra Nova. Segundo os ocupantes, o local pertencia a um banco, possivelmente o Banco da Terra, e hoje pertence a agricultores.
Os índios estão cobrando a presença da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e do MPF (Ministério Público Federal). Eles querem negociar, com mediação da Fundação, com os moradores, que supostamente financiaram a terra no banco e devem estar endividados. 
As tribos reivindicam que a área seja demarcada e que, conforme o Decreto n°1775/96, seja feita a extrusão dos não-índios que se encontram nas terras administrativamente reconhecidas como indígenas.  A demarcação ocorre por meio da identificação e delimitação, quando é constituído um grupo técnico de trabalho, composto por técnicos da FUNAI, do INCRA e/ou da secretaria estadual de terras da localização do imóvel. No processo de desintrusão, a lei prevê que os agricultores devem ser transferidos para outra área e indenizados pelas benfeitorias que realizaram. Isto é, ninguém será prejudicado.
            De acordo com Frederico Campos, coordenador da Funai, o órgão não pode se fazer presente. “Os proprietários que se sentirem lesados têm que nos procurar aqui e apresentar essa demanda, porque se a gente for lá caracteriza que a instituição está promovendo isso [a retomada]”, afirmou o coordenador. Ele destacou que essa é uma atividade do movimento indígena para pressionar a instituição a indenizar os agricultores, e isso é um direito deles, mas o processo é complexo. Segundo o mesmo, no dia 29 de abril pela manhã vai acontecer uma reunião com o presidente da Funai e lideranças indígenas do estado na sede do órgão, em Maceió, que foi reformada e será reinaugurada neste mesma data, às 17h.
            Enquanto isso, os índios temem haver um conflito com os agricultores da região. “As ameaças estão fortes aqui, com os caras [moradores] armados com pistola na cintura”, frisou o Cacique Chiquinho, da tribo Xukuru-Kariri. Os Karapotós dizem não ter terra suficiente para comportar as três tribos do município e apelam que existem muitas crianças e idosos precisando de alimentos e roupas. Até o final da tarde os Caciques devem estabelecer locais para receber doações.


Mais informações:
Cacique Jorge Barnabé (Karapotó) - 82 9943 8279


Lara Tapety P. Cavalcanti
Jornalista MTE/AL 1340 / Relações Públicas
                                                                                                                   82 93056290 / 82 9672 8660

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Silêncio

É tão bom escutar
o barulho do silêncio
Melhor ainda é saber
que silêncio não há
completo não existe
Existem vozes que calam
Mas o som persiste
Pensamentos até gritam

Lara Tapety
Julho de 2005

domingo, 17 de abril de 2011

Não me pergunte

Não me pergunte o que sinto.
Se é semente
Ou raiz.
Porque foi proliferado sem razão.

Não me pergunte se estou fértil,
Ou se me arrependi do que fiz.
Apenas não me deixe com a solidão.
Não me pergunte de onde vem o que sinto.
Se nasceu de um cio
Ou foi fecundado no vazio.
Nesse caso, prefiro o silêncio.

E, por favor, não diga que minto.
Aliás, diga o que quizer!
Contanto que esteja comigo.


Lara Tapety
Maio de 2005

sábado, 16 de abril de 2011

Show da Banda Artehfato no Bom Bar

Banda ArtehFato no Bom Bar
 
Bruno Toré no violão e André na guitarra. Ao fundo, Fred na Bateria.
Toré: violão, teclado e vocal

Flavinho, no contra-baixo e Laís na percussão.
Laís no vocal, cantando Novos Baianos.
Flávio no baixo.

Artur Pontes, no saxfone alto.
Fred, na bateria.

A banda completa.







terça-feira, 12 de abril de 2011

Banda ARTEHFATO no Bom Bar - 15/04

A banda Artehfato se apresenta nesta sexta-feira, 15, no Bom Bar, situado na Rua Pio XX, bairro Jatiúca, em Maceió.
Criada em 2004, hoje traz em sua formação André (Del), Bruno (Toré), Flávio, Laís Lira, Artur e Fred. O repertório conta com músicas dos Novos baianos, O Teatro Mágico, Lulu Santos, Belchior, Titãs, Legião Urbana, Los Hermanos e outras "brasilidades". 
O Bom Bar foi inaugurado há cerca de um ano no lugar do antigo Casa Amarela,  conhecido como Bar da Zil. Um ambiente aberto, agradável e alternativo para quem quer relaxar a vontade, sem frescura, comer um delicioso tira-gosto, "tomar uma" e escutar um bom som. 
A estrutura do local, com mesas e cadeiras na calçada, é um pouco pequena para comportar grupos musicais, cabe melhor uma dupla de voz e violão. Mas vale a pena variar o cardápio sonoro!


domingo, 10 de abril de 2011

Eu vou morrer e esta terra não sai

Por: Carlos Lima (*)


Quantas vezes, nas minhas idas ao acampamento Mumbuca, no município de Murici, ouvi os lamentos do acampado Cícero Vicente que entrou na luta para conquistar um pedaço de terra em 1999. Era comum ao me encontrar com o velho Cícero ouvir a seguinte frase: “Eu vou morrer e esta terra não sai”.

Acolhedor, sempre abria a porta do barraco para todos, logo oferecia um café quente e começava contar “causos” e a mostrar a produção, se orgulhava de ter 78 anos e trabalhar na enxada, exibia as mãos calejadas e falava do plantio de macaxeira, milho, batata, cana caiana, verdura, criação de galinhas e de peixes. Forte, descendente de africanos e dono de um par de olhos azuis, seu Cícero além de ser bom de enxada e de luta era um exímio dançarino, sempre elegante nos eventos gostava de usar chapéu e camisas de manga comprida, era uma figura.

Seu Cícero labutava em duas frentes, a primeira de alcançar a liberdade através da conquista da terra e a segunda contra um câncer no intestino. Lutou bravamente e o tempo o derrotou. Na última terça-feira (05.04) o velho Cícero foi sepultado no cemitério São Luiz no Tabuleiro, sem alcançar a terra prometida.

Ver o caixão descendo, veio logo em minha mente o poema “Funeral de um lavrador” (1966), uma composição de João Cabral de Melo Neto e Chico Buarque: “É a parte que te cabe deste latifúndio. Não é cova grande, é cova medida. É a terra que querias ver dividida. É uma cova grande pra teu pouco defunto, mas estarás mais ancho que estavas no mundo”.

A morte do velho Cícero após 12 anos de luta é uma denúncia grave da morosidade do governo em realizar a reforma agrária. A burocracia, a corrupção e a falta de vontade política impediram o sonho dele e de milhares de sem terra que estão acampados em rodovias e fazendas, esperando uma terra mais larga que uma cova.

Tantos companheiros nossos partiram na condição de sem terra, lembro da Lia lá do acampamento São Sebastião, a Josiete na Flor do Bosque, seu Baltazar no Gordo, Simoa também da Mumbuca e Laurizete no acampamento Nossa Senhora Mãe dos Pobres. Deve ter sido uma festa o encontro do seu Cícero com esta gente na morada definitiva.

A terra, Cícero Vicente, não saiu, mas você foi mais um a entrar na terra. Na morada preparada por Deus tem lugar para você e para todos os pobres que sofreram aqui, como afirmou Jesus (Jo 14,1-6). Descansa em paz!


*É historiador e coordenador da Comissão Pastoral da Terra.


O texto foi publicado no Jornal Gazeta de Alagoas (08.04.11) e no Blog da CPT Alagoas.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Ter

Andando em croa. Foto: Manu Arroxelas

Um intervalo não foi suficiente
para me curar do vazio
A solidão permanece no presente
talvez continue no futuro

Quando me sinto só
mesmo sem estar
percebo que sou só

Onde está minha família?
Onde estão meus amigos?
Onde está meu amor?

São perguntas sem respostas
Não tenho ninguém
Na verdade, ninguém tem!

O que era pra ser
um lúdico intervalo
foram páginas em branco
enrrugadas de lágrimas

Tempo vazio sem escrever
A necessidade de ter alguém
Toma conta do meu ser

Ter agora não é posse
é precisar romper
o vazio de não ter


Lara Tapety
Junho de 2005