quinta-feira, 31 de março de 2011

Povo Xukuru-Kariri aguarda desintrusão de suas terras em Palmeira dos Índios

Parceiros dos índios foram a uma reunião para apoiá-los diante de ameaças de fazendeiros e políticos do município, que não aceitam a demarcação das terras indígenas.
Reunião na Aldeia Mata da Cafurna
Por volta das 10:30h de ontem, 30, iniciou-se uma reunião na aldeia Mata da Cafurna, situada no município de Palmeira dos índios, Alagoas. O objetivo foi discutir a conjuntura da demarcação das terras indígenas na região.
Segundo os índios, cerca de 36.000 hectares de terra pertenciam a eles. Um novo estudo indicou que a área era 14.000. Recentemente, eles aceitaram a proposta de receber aproximadamente 7.000 hectares. Decisão sábia, segundo o analista pericial de antropologia do Ministério Público, Ivan Soares, porque os eles corriam o risco de perder ainda mais área. Os Xukurus informaram que a demarcação já aconteceu, falta apenas que a União indenize os posseiros e fazendeiros. Eles denunciam que estão sofrendo ameaças constantes destes últimos, inclusive, através dos meios de comunicação locais, com destaque para a rádio, que sofre influência do prefeito da cidade.
Pajé Antônio Sebastião
O Pajé Antônio Sebastião contou a história do povo Xukuru-Kariri, falou do descobrimento do Brasil, quando os índios começaram a ser dizimados e expulsos de suas terras; das tentativas de retomadas na região, que segundo ele, já haviam sido iniciadas em 1822 e; da demarcação das terras, discutida desde a década de 1970. Ele contou que seus "parentes" (como tratam seus semelhantes) perderam espaço para continuar a tradição e foram impedidos de realizar os rituais.     
  
O que diz Funai e Ministério Público sobre o assunto?
Frederico Campos explica o processo
Fredecido Campos, coordenador da Funai em Maceió, explicou que o processo de demarcação e indenizações já está em Brasília. Foram feitos estudos antropológicos que confirmam a versão dos Xukurus. O que falta é fazer a delimitação física, e posterior, a desintrusão, que é retirar e indenizar os posseiros que hoje ocupam as terras demarcadas.
Para Ivan Soares, analista pericial de antropologia do Ministério Público, que tem experiência na luta das comunidades indígenas, "a demarcação das terras Xukurus-Kariris é uma das mais difíceis do país". Ele falou que o órgão indigenista carrega uma responsabilidade grande nesse processo, e que a presença dos parceiros como os sindicatos é preciosa. “É preciso entender que o momento desse processo não é o mesmo dos últimos 6 meses”, disse Soares, explicando que a situação mudou a partir da publicação da portaria N°4.033, que declara a posse permanente do grupo indígena Xukuru-Kariri a Terra Indígera Xukuru-Kariri "com superfície aproximada de 6.927 (seis mil novecentos e vinte e sete hectares) e perimetro de 45 km (quarenta e cinco quilômetros)", conforme documento oficial, publicado em 14 de dezembro de 2010.
Parte da terra do povo Xukuru-Kariri

Questão política  
Ivan Soares fala na reunião
Segundo o mesmo, o valor das indenizações é muito baixo e não garante que os indenizados tenham condições de adquirir outro pedaço de terra. No entanto, para o antropólogo, os grandes proprietários têm revelado que estão conscientes que estão perdendo o processo. Ele acredita que as aldeias precisam discutir e entrar num consenso de quem terá prioridade. Em sua opinião, aquelas que têm mais necessidades e não tem mais como crescer e onde produzir devem ter prioridade. Primeiro, a Fazenda Canto, em seguida as demais: Mata da Cafurna, Cafurna de baixo, Coité, Capela, Amaro, e por último, Boqueirão, que é a menor aldeia.
Jorge Vieira, do gabinete do Deputado Judson Cabral, destacou que é preciso esclarecer a sociedade que “os índios não estão invadindo nada, eles estão reivindicando seus direitos históricos e constitucionais", frisou. O representante do deputado informou que Judson solicitou, para o dia 18 de abril, uma audiência da Assembléia Legislativa para discutir o assunto.
 
Engajados na luta do povo indígena
Escola da Aldeia Mata da Cafurna, onde aconteceu a reunião, no alto de serra em Palmeira dos Índios.
O encontro contou com a presença de, além de representantes de 6 das 7 aldeias do município; membros da Funai; do Ministério Público;  estudantes de direito e de jornalismo do Cesmac; professores da Ufal e do Cesmac; Diretório Central dos Estudantes da Ufal; Movimento Bairros, Vilas e Favelas; Sindicato dos Servidores Públicos de São Miguel dos Campos; Central Geral dos Trabalhadores do Brasil; Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Estado de Alagoas e; outros apoiadores da causa indígena.
Texto e fotos: Lara Tapety

sexta-feira, 25 de março de 2011

Libertados os presos políticos detidos durante protesto contra Obama

Ativistas permaneceram quase 70 horas confinados, acusados sem qualquer prova 
Da Redação


Após quase 70 horas detidos, finalmente foram libertados, na noite desse dia 20, os ativistas presos durante uma manifestação contra a vinda de Obama ao Brasil no Rio. Com grande emoção, os últimos presos políticos no presídio Ary Franco foram recebidos pelos próprios companheiros.
As prisões ocorreram na noite do dia 18, em frente ao consulado dos EUA. Acusados de “lesão corporal” e tentativa de incêndio, sem qualquer prova, os ativistas passaram a noite na delegacia e foram transferidos no dia seguinte para presídios. As mulheres foram transferidas para o presídio de Bangu 8, enquanto os homens foram para o presídio Ary Franco, em Água Santa, onde tiveram as cabeças raspadas. Um dos detidos era menor de idade e foi encaminhado ao Centro de Triagem da Ilha do Governador.

Prisões políticas
Nove dos 13 presos eram militantes do PSTU. Todo o processo, segundo o advogado criminalista Jorge Bulcão relatou ao Portal do PSTU, não passa de uma “aberração jurídica”. Primeiro, a PM deteve 13 pessoas de forma aleatória após reprimir o protesto contra Obama. Depois, expôs na delegacia o que seriam os artefatos encontrados com manifestantes: um coquetel molotov, um soco-inglês e uma mochila com pedras, junto a isso um cartaz e uma bandeira do PSTU. A intenção era clara: associar os artefatos e a explosão de um molotov ao partido.
Seguindo a seqüência de arbitrariedades, a Justiça negou a liberdade provisória aos presos, alegando que representariam “ameaça” à ordem pública enquanto Obama estivesse no Brasil. Alegou até mesmo que os ativistas “maculariam” a imagem do Brasil no exterior, e citaram as Olimpíadas de 2016. O habeas corpus só foi aceito na manhã desse dia 20, segunda-feira, 1 hora após Obama deixar o país.



Momento em que ativistas foram libertados

Campanha e liberdade
As prisões, porém, não arrefeceram as mobilizações. No domingo, dia 19, um ato contra o imperialismo reuniu cerca de 800 pessoas no Rio e encampou como uma de suas principais bandeiras a libertação dos presos. A solidariedade também foi fundamental. Parlamentares como Chico de Alencar (PSOL) e Lindberg Farias (PT) visitaram os ativistas nos presídios e divulgaram nota exigindo sua libertação. Entidades de todo o país enviaram moções e uma petição pública em defesa dos presos recebeu mais de 6 mil assinaturas em pouco mais de dois dias.
O menor de idade foi liberado no dia 20. Uma das ativistas, uma senhora de 67 anos, foi liberta na madrugada do dia seguinte. O alvará de soltura do restante dos presos só saiu no final da tarde. Primeiro as 2 mulheres foram soltas de Bangu 8 e, por fim, o restante dos presos saíram de Ary Franco.
Foi sem dúvida uma grande vitória e um belo exemplo de luta e solidariedade. Mas que não termina aqui. Os companheiros detidos ainda estão respondendo pelos crimes nos quais foram indiciados. É preciso continuar a campanha para a suspensão do processo para que este não se torne um perigoso precedente de criminalização dos movimentos sociais. 


  
Publicado em 22 de março de 2011
Fonte: PSTU

segunda-feira, 21 de março de 2011

Libertação de 13 presos políticos, que protestavam contra a visita de Barack Obama ao Brasil

Segue abaixo notícia  sobre a prisão de ativistas que protestaram contra a visita de Obama ao Brasil.
Os atos contra o presidente estadunidense não tiveram grande repercussão midiática, especialmente na televisão. 
O PT de Lula e Dilma publicou nota, através do presidente do partido no Rio de Janeiro, proibindo seus militantes em manifestar opinião que não reflita a posição oficial do partido em relação à visita de Obama. A nota afirma que a visita deve ser considerada um passo importante para a afirmação “dos nossos interesses políticos e comerciais” (Veja matéria do Correio Braziliense)
O texto abaixo foi da última sexta-feira, 18, então, a situação já mudou. Ontem aconteceu um ato com a participação de aproximadamente 800 pessoas e outro protesto vai acontecer outro hoje à noite. Os presos podem ser liberados ainda na tarde de hoje, através de habeas corpus. Ainda falta o alvará de soltura.


URGENTE: Presos políticos do PSTU estão sendo levados para Bangu e Água Santa 


Depois de passar a madrugada na 5º DP (Gomes Freire), os 13 detidos nesta sexta-feira, 18, foram levados para presídios por volta das 8h de hoje. Após exame de corpo-delito no IML, os homens serão encaminhados ao presídio de Bangu 8 e as mulheres ao presídio de Água Santa. Dos 13 presos, 10 são militantes do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU)

Os manifestantes foram enquadrados em vários artigos, e não terão direito a fiança. A principal acusação é de ter tentado "causar incêndio" no consulado dos Estados Unidos. "É uma vergonha o que está acontecendo. É uma prisão política. São presos políticos do governo Sergio Cabral e de Dilma, no momento em que Obama desembarca no Brasil", protestou o presidente do PSTU no Rio de Janeiro, Cyro Garcia. "Estamos muito preocupados com a segurança de nossos militantes e faremos uma campanha internacional pela liberdade deles", afirmou.

Os 13 manifestantes foram presos após um coquetel molotov ter sido lançado no ato em frente ao consulado. Na noite de ontem, o partido lançou umcomunicado à imprensa, no qual reafirma o caráter pacífico da manifestação e que nenhum militante do partido organizou ou participou do ataque. "Os policiais sabem que quem foi preso não tem nada a ver com o que houve. Tem gente lá presa sem nenhuma prova, apenas porque levantou um sapato contra a bandeira dos Estados Unidos. É um absurdo", afirma Cyro. "Estão criminalizando os protestos e o partido. É um absurdo a polícia exibir cartazes políticos e bandeiras do partido como provas aos fotógrafos, como quem exibe armas," protesta.

Os advogados do PSTU estão entrando na Justiça com um pedido de libertação dos presos, já que não há provas contra eles. Também questionam os artigos apontados pelo delegado, que torna o crime inafiançável. O partido fará um ato neste domingo, às 10h, contra a visita de Obama e pela liberdade dos presos políticos. Hoje, em Brasília, militantes do partido irão até a Praça dos Três Poderes, também para exigir a libertação. 

« Libertação imediata dos 13 presos políticos, que protestavam contra a visita de Barack Obama ao Brasil. »  CLIQUE AQUI E ASSINE A PETIÇÃO PÚBLICA


Comunicado à imprensa sobre a repressão no ato do Rio 


Diante do protesto desta sexta-feira, contra a visita de Obama e a violenta repressão policial, o PSTU vem a público declarar que:

1 – O ato pacífico foi organizado pela CSP-Conlutas, pela Assembleia Nacional dos Estudantes-Livre - ANEL e por diversos sindicatos. 

2 – O protesto faz parte de uma jornada nacional, que inclui atos em outras cidades e tem como objetivo denunciar a visita de Obama, a entrega do petróleo, os acordos de livre comércio com o governo brasileiro. Também pretende apoiar a revolução árabe e denunciar os ataques do imperialismo aos povos do mundo, como no Iraque, e que agora se repete na Líbia.

3- O PSTU apoiou o protesto e participou ativamente de sua organização. Durante a semana, o partido tem realizado várias ações contra a visita de Obama, com milhares de cartazes e até faixas em um avião que circula pelos céus do Rio de Janeiro.

4 – Desde as 16h, horário marcado para a concentração, os policiais demonstravam que não tolerariam o protesto. Chegaram a impedir a entrada de um carro de som na Candelária e não queriam deixar que a caminhada seguisse pela Av. Rio Branco.

5 – Apenas depois de uma longa negociação, de quase duas horas, a passeata pôde deixar a Candelária. No momento, já somavam 400 pessoas, inclusive muitas crianças. A passeata foi aplaudida ao longo da Av. Rio Branco, demonstrando que o apoio à visita não é unâmime.

6 – O acordo com o comando policial previa que a passeata seguiria até o Consulado dos EUA, onde seria feito apenas um ato simbólico, seguindo até a Cinelândia. O objetivo era ocupar a praça, símbolo de resistência à ditadura militar, e que Obama tentou usar agora como palco para seu discurso. 

7 – Em frente ao Consulado, o ato iniciou com discursos, palavras de ordem. Simbolicamente, sapatos foram atirados contra uma bandeira dos Estados Unidos, repetindo um gesto comum nas revoltas árabes.

8 – No momento em que estavam reunidos em um grande círculo, os manifestantes e os jornalistas escutaram uma explosão ao fundo e foram surpreendidos com o avanço da polícia, que atacou com cassetetes, atirou com balas de borracha e lançou bombas de gás e depois perseguiu os manifestantes pelas ruas vizinhas. As cenas desse momento foram gravadas por manifestantes e estão em nosso site.

9 – Dezenas de pessoas ficaram feridas e entre 12 e 15 manifestantes foram presos. Entre eles, um estudante, menor de idade. Até as 22h, ninguém havia sido solto.

10 – A polícia declarou que coqueteis molotov foram jogados contra os policiais, atingindo um segurança do Consulado. Sobre isso, declaramos que nem o PSTU e tampouco qualquer uma das entidades que organizaram o ato concordam ou apoiam atitudes como essa no ato, convocado como uma manifestação totalmente pacífica. 

11 – Este espírito pacífico era compartilhado pelos manifestantes. Entendemos que transformar a passeata em uma batalha apenas favoreceria o imperialismo, evitando que se discuta as verdadeiras intenções da visita. Neste sentido, desconhecemos os autores do ataque e queremos vir a público declarar nossa desconfiança de que provocadores tenham se infiltrado no ato, com esse objetivo.

12 – Os artefatos lançados não justificam a reação completamente desproporcional da polícia do governador Sérgio Cabral, que agiu atacando e prendendo a esmo. A selvageria se seguiu por várias horas, com policiais perseguindo manifestantes pelas ruas próximas a Cinelândia, revistando e prendendo sem provas.

13 – A ação policial derruba por terra qualquer respeito à liberdade e os direitos humanos e indica uma criminalização dos protestos, ao melhor estilo dos Estados Unidos. Um exemplo foi dado na delegacia, quando policiais exibiram suas “apreensões”: uma garrafa de cerveja que teria sido usada como parte de um coquetel molotov e um soco inglês. Para que a imprensa fotografasse, foi colocada uma bandeira e um cartaz do PSTU, atribuindo responsabilidade sobre os ataques. Desde quando uma bandeira, um símbolo de um partido político pode ser apresentado como algo criminoso?

14 – Exigimos uma investigação e uma resposta do governador Sergio Cabral e de seus secretários de Segurança e de Direitos Humanos sobre os fatos desta sexta-feira. Imediatamente, exigimos a libertação de todos os presos, principalmente o menor de idade, que, pela lei, não poderia estar em uma delegacia policial.

15 – Por último, o PSTU afirma que não deixará de protestar contra os Estados Unidos por conta dos ataques da polícia de Sergio Cabral. Continuaremos nas ruas, e nosso próximo ato será no domingo, às 10h, no Largo do Machado. Convocamos todos a participarem deste ato, e transformar esse dia em um grande repúdio à violência de hoje e a criminalização dos que lutam.

Rio de Janeiro, 18 de março de 2011
PARTIDO SOCIALISTA DOS TRABALHADORES UNIFICADO
 

domingo, 20 de março de 2011

Solidão

Solidão sombria...
Tantos seres perto
Estou longe e sozinha

Como pode alguma coisa cheia ser vazia?
De pensamentos estou saturada
Tão confusos complicam a poesia
A mente é uma cilada

Não sei o que sinto
mas percebo que não estou preparada
Não sei se estou enganada
Sei a minha solitária vontade de saber

Esperei muito tempo por um amor
que não é nem irá ser
Pois sua dona é minha alma
Para mim é imaginação

Estou com meu amor platônico
no Mundo que não é de Platão
Talvez eu queria continuar
mas lembrando que jamais derpertará paixão

Não sei se sim,
nem tenho certeza que não
Eu queria apenas amar
e afugentar a solidão

Lara Tapety
Outubro de 2003

sábado, 12 de março de 2011

Canto de Ossanha

-"O canto da mais difícil
E mais misteriosa das deusas
Do candomblé baiano
Aquela que sabe tudo
Sobre as ervas
Sobre a alquimia do amor"

Deaaá! Deeerê! Deaaá!

O homem que diz "dou"
Não dá!
Porque quem dá mesmo
Não diz!
O homem que diz "vou"
Não vai!
Porque quando foi
Já não quis!

O homem que diz "sou"
Não é!
Porque quem é mesmo "é"
Não sou!
O homem que diz "tou"
Não tá
Porque ninguém tá
Quando quer

Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha
Traidor!
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor...

Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!

Não Vou!...

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou

Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...

Amigo sinhô
Saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha
Não vá!
Que muito vai se arrepender

Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer...

Vai! Vai! Vai! Vai!
Amar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Sofrer!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Chorar!
Vai! Vai! Vai! Vai!

Dizer!...

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou

Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...

Vai! Vai! Vai! Vai!
Amar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Sofrer!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Chorar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Dizer!...(2x)


Vinícius de Moraes
Composição: Vinícius de Moraes / Baden Powell

quinta-feira, 10 de março de 2011

Dia da Mulher em pleno Carnaval


A politização da data tão importante para nós mulheres trabalhadoras foi completamente apagada este ano. No máximo, o que vimos foi uma ou outra propaganda de caráter comercial ou um sufocado suspiro de resistência à violência contra mulher.
O fato é que o real sentido da data sequer foi destacado com ênfase pelos movimentos sociais e partidos políticos. Como se apenas uma curta mensagem de “feliz dia das mulheres” compensasse a ausência de debate sobre o assunto, que vai muito além da questão da violência e de gênero propriamente dita.
A legalização do aborto, histórica bandeira do movimento feminista; e tantos outros temas como o direito de escolha da mulher sobre seu corpo e sua vida, assédio sexual e moral, a prostituição, a mulher na sociedade de classes e no mundo do trabalho foram esquecidos.
Evitando generalizar, pode-se dizer que ainda existem alguns gritos de resistência isolados, conforme site da CSP-Conlutas. Segue link de matéria abaixo.

Nesse mês de março as mulheres saem às ruas em defesa de seus direitos

Movimento Estudantil no Carnaval e a educação superior em foco

O vídeo abaixo é um clipe de marchinha de carnaval, criado pelo pessoal do DCE-UFAL (Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Alagoas). Apesar de discordar politicamente do grupo majoritário da atual gestão da entidade, chamada "Correnteza" (militantes do PCR (Partido Comunista Revolucionário) e simpatizantes), tenho que admitir que o vídeo ficou ótimo, segue bem a velha frase: "Seria cômico, se não fosse trágico".


O sucateamento das universidades federais não é uma novidade, mas os últimos governos, especialmente do PT (Partido dos Trabalhadores),  vêm destruindo não apenas a infra-estrutura das IFES (Instituições Federais de Ensino Superior), mas a própria educação. Quando falo educação trato de uma concepção de educação emancipadora, transformadora e crítica.
As universidades a cada dia formam mais pessoas não pensantes, sem sensibilidade e até; pior, sem ética, sem caráter. Além da tecnização, é uma total aculturação. Marx escreveu com outras palavras, no Manifesto Comunista, que a burguesia reduziu a dignidade pessoal a simples valor de troca e, no lugar das liberdades conquistadas com muito esforço, erguiu a liberdade do comércio. Ele também diz que a burguesia rasgou o véu de emoção das relações familiares. Agora estamos diante isso mais do que nunca.
Os seres humanos estão cada vez mais se transformando em máquinas, onde o pensar está dissociado do agir e o agir está condicionado pelo sistema. Os verbos pensar e refletir dão lugar a agir e operacionar de forma desconectada. As máquinas humanas seguem as ordens impostas, sem contestação, simplesmente porque perderam até mesmo a capacidade, ou melhor, a sensibilidade de pensar e, claro, de perceber isso. É a total alienação.
A turma do PT e seus comparsas está fazendo uma verdadeira lavagem cerebral no povo brasileiro. Isso ficou claro no carnaval de 2011, onde a cultura popular foi sucumbida pela de massa alienadora e vulgar. Nada contra as novas manifestações artísticas terem seu espaço na época, contanto que não invadam o espaço das tradicionais e não sejam a principal atração. O próprio rock'n roll é bem vindo no carnaval, mas que fique lá no seu canto, sem destruir as expressões populares. O que não dá é escutar "Foge, foge Mulher Maravilha. Foge! Foge! Com  Super Man...!" e "Vou não, quero não, posso não, minha mulher não deixa não" até na folia de Olinda. Coisas desse tipo não deveriam sair do seu lugar de origem.
Até o Dia Internacional da Mulher, que foi celebrado no mesmo dia do Carnaval, ficou apagado pela própria promiscuidade da festa.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Marcha de Quarta-Feira de Cinzas

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando
feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Quem nem se sorri
Se beija e abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar

Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de 
que a gente nem sabe

Quem me dera viver para ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto da paz.


Vinícius de Moraes e Carlinhos Lyra

terça-feira, 8 de março de 2011

Luto X luto

Lara. Por Tadeu Brandão
 Mulher de preto,
Por que luto?
Sombras precisam de luz

Luto contra tudo

Que não se faz vivo,
O que é cinza e morto!

Mulher de luto,
Esse teu coração vadio
Não está sepulto

Mulher de preto,
Luta contra o vazio
Contra quem te feriu.

Mostra teus peitos
Perfeitos
Luta contra os sujeitos

Sem medo dos brutos,
Luto e lutas
Contra os injustos.

Mulher de luto,
Encara a luta,
Com amor, sem ódio.

Mulher, mantém a luta,
Acaba o luto
E encara quem te trouxe a dor.

Lara Tapety
Maio de 2005



FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER TRABALHADORA!

sábado, 5 de março de 2011

Tão triste

Eu ando tão triste
O belo sol dessa manhã
faz meus olhos arderem
No jogo da vida,
minha tristeza é campeã
Os sorrisos a escondem
na verdade tentam disfarçar
E tudo me deixa triste
até o brilho do mar
É tudo tão triste
assim como meu olhar
Nem o cheiro da maresia
Nem o conforto do meu lar
Nem escrever poesia
faz meu aperto passar
Não pudera fazer
com tantos sofrimentos
em todo lugar


Lara Tapety
Junho de 2003

terça-feira, 1 de março de 2011

Mundo avesso

Croa na Barra de São Miguel/AL. Por Josevita Tapety

Azul do céu
mais comum cinza
Doce do mel
morte de comunidade
Vermelho de liberdade
o mesmo do sangue
Negativo fantasiado
do positivo enterrado
Certo é errado
errado é certo
O verde que purifica o ar
logo vai acabar
O fim pode estar perto
E o mundo assim...
pelo avesso.



Lara Tapety
Dezembro de 2005