sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Antes que acabe o ano

Ademar Bogo*

Antes que acabe o ano
Farei uma poesia
Para dizer em versos
Que iremos renascer
Junto com o ano novo;
De novo...
Mas o ano velho também será lembrado
Ele é a causa presente terminando
Conhece-nos detalhadamente
E nos dá razão.
Continuará em nós
Em sabedoria e experiência
Em lembranças
Em consciência.
Antes que acabe o ano insatisfeito
E venha o ano bom
Farei uma poesia
Para zombar do tempo e da corrupção;
Zombar daqueles que pensam que venceram
Quando apenas se condenaram ainda mais
Por isto não renascerão
Nem terão um ano bom.
Antes que acabe o ano
Farei uma poesia às flores e aos amigos
Porque ambos guardaram as sementes
Para o novo plantio.
Juntos faremos as colheitas.
Antes que acabe o ano
Farei uma poesia aos novos planos
Em nome da continuação.

30 de dezembro de 2009

*Ademar Bogo é da Coordenação Nacional do MST

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Quanto vale o sorriso de uma criança? Dar esmola ou não, eis a questão!

Crianças pedem esmola com caixinha de Natal nos ônibus
Criança passa nos ônibus com Caixinha de Natal
 Padarias, supermercados, lanchonetes, lojas e os mais variados locais contam com espírito natalino para garantir um dinheiro extra – além do 13° salário – no final do ano para os funcionários através das famosas "Caixinhas de Natal". Elas não se restringem ao comércio formal, estão em todos os cantos e até se tornaram companheiras dos pedintes.
O transporte coletivo se tornou um comércio informal itinerante. Balas de coco, Jujuba, chocolate, chaveiros, canetas e capas para celulares são alguns exemplos de mercadorias vendidas nos ônibus. Os discursos dos vendedores já são conhecidos. Ora passa um adulto, ora uma criança. O conteúdo é sempre semelhante: “Bom dia pessoal! Desculpem atrapalhar a viagem de vocês. Estou aqui por causa de um problema que atinge muitos brasileiros. O desemprego. Para não ficar em casa pensando coisa errada, estou vendendo essas jujubas. Uma é R$0,50, duas é R$1,00”. Quem anda de ônibus já está se acostumando a encontrar pessoas comercializando guloseimas, assessórios e/ou pedindo esmola.

Menina faz pose para foto com sua caixinha
Chegando o ano novo, os passageiros se deparam com as caixinhas de natal. Crianças, com aqueles rostinhos de anjos, passam de cadeira em cadeira pedindo para depositarem um trocado na caixa. E aí eis a questão: dar esmola ou não?
O ano inteiro os passageiros - classe trabalhadora - garantem o pão dos desempregados, isto é, dos companheiros de classe. Não dá para saber quem dá mais esmola, o Governo, através dos programas assistencialistas como Bolsa Família e Bolsa Escola; ou o povo.
 
A criança fica na catraca do ônibus com caixinha enquanto
 mãe vende jujuba. Depois ela passa pedindo dinheiro.
Texto e fotos: Lara Tapety

sábado, 4 de dezembro de 2010

Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver


Cora Coralina

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Cicatrizes do Governo Collor: demitidos ainda lutam por reintegração

20 anistiados da rede ferroviária em Alagoas puderam voltar ao trabalho, de 2004 a 2010, graças ao apoio de um sindicato

Servidores anistiados no Ministério Público do Trabalho,
junto ao Procurador Rafael Gazzaneo
Na década de 1989, o então presidente Fernando Collor elaborou uma reforma administrativa, com extinção de empresas e enxugamento da máquina administrativa, sob o slogan “Caça aos Marajás”, que resultou na  demissão  de cerca de 180 mil trabalhadores de empresas estatais, autárquicas, fundações e  de órgãos públicos. Porém, nenhum Marajá perdeu o emprego.
De acordo o presidente do Núcleo de Anistiados, apoiado pelo Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal em Alagoas (Sintsep/AL), Carlizon Oliveira dos Santos, foram demitidos mais de mil trabalhadores de diversos órgãos em Alagoas. “Da Funasa foram liberados na faixa de 30. Da Conab também mais ou menos isso. Só da rede ferroviária foram uns 130”, disse. 
Logo após o impeachment do Collor, os anistiados organizados conseguiram a edição da Lei 8.878 como forma da sociedade reparar as grandes perdas para essa massa de trabalhadores.
De 2004 a 2010, 19 servidores da rede ferroviária demitidos foram reintegrados.  Ainda este ano, mais um voltará ao serviço através da lei de anistia. Além dos ferroviários, trabalhadores de outros órgãos também foram reintegrados.
Já se passaram 22 anos do Governo Collor e muitos ainda não foram anistiados. Para Carlizon, “o grande problema foi que FHC colocou o pé encima da lei”. Segundo ele, o Governo de Fernando Henrique Cardoso criou três decretos que anulavam a anistia. Mas depois o movimento se fortaleceu. Com o Governo Lula, ex-inimigo de Collor, o projeto foi retomado e houve a criação de outra comissão de análise, a CEI (Comissão Especial Interministerial).
Para Carlizon, o Sintsep/AL teve grande influência no processo de reintegração do pessoal, principalmente a última diretoria. “O sindicato que representava a gente era o da rede ferroviária, mas o nosso sindicato de base abandonou a luta. Então foi o Sintsep que foi nos buscar. Durante todo esse tempo, o apoio maior que tivemos foi da gestão No Rumo Certo até hoje”, afirmou.
O secretário geral do sindicato, Gerson Hortêncio, destaca que a gestão Símbolo de Lutas e Conquistas, eleita no corrente ano, continua a apoiando o Núcleo de Anistiados em busca de trazer de volta ao trabalho os servidores injustiçados.